Indagações dum sono etílico
De repente depois de algumas doses de conhaque, sentiu-se tentado a pensar na vida, muitos assuntos vieram à baila, devaneios e mais devaneios, nada de útil e produtivo, enfim, decidiu ir para cama, dormir seria o mais proveitoso a fazer.
Como de costume, tirou a cueca que vestia, sentia-se mais à vontade em dormir nu.
Ao deitar, uma última discussão mental veio à tona, pensou naquela nova e apertadinha de que tanto gostava, além disso era muito bonitinha, a única com quem se encorajava a sair em público, mas com ela, infelizmente, não ficava muito à vontade, eis que sempre lhe deixava marcas numa região sensível do corpo.
Lembrou também daquela outra, a velha larga, não tão bem apresentável quanto a anterior, mas mesmo assim muito boa, ela o deixava sempre muito à vontade, intimidade de anos. Os efeitos do tempo fizeram com que ela perdesse a beleza, e ele não conseguia sair em público com ela.
Por fim, ainda outra veio à mente, um meio termo entre as duas anteriores, nem tão velha e larga, nem tão nova e apertadinha, não a machucava e nem era feia, não mais a viu nos últimos dias, era a que mais gostava, provavelmente essa havia sido esquecida na lavanderia, ficando assim a dúvida, “que diabo de cueca vestirei amanhã?”
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