Monday, September 24, 2007

Veja a roda passando sobre tua vida

Vou falar de que hoje? Reservo espaço às divagações cotidianas. Grande novidade! Como se não bastasse ser fraco de idéias ainda escrevo bastante precariamente.
Ah, o trabalho, que desculpa desgraçada é o trabalho. Ele trabalha pra sustentar a esposa e os filhos, ela trabalha porque quer um carro, outro trabalha porque é obrigado. Menos mal esse último, ninguém trabalharia se não precisasse. Impressiono-me com o artesão, com o músico, com o verdadeiro escritor, eles não trabalham, criam. O trabalho é o oposto da criação, quem cria satisfaz a si, que trabalha satisfaz aos interesses da grande roda que esmaga e atrofia diariamente e precisa ser engolida como farinha sem água.
O trabalho é a desculpa esfarrapada dos autômatos, daqueles que negam a própria inteligência em busca do conforto, já que abdicaram de seus dons e seu prazer em busca de um melhor encaixe na sociedade. O problema é que essas pessoas trabalhadoras são esmagadas pela roda desde que nascem, desde criança, na escola, na faculdade, raros os que escapam, os que não escapam continuam na roda até a morte e juram por Deus que são felizes (isso lembra Orwell ou Huxley).
Eles trabalham pra viver, mas pergunte a eles o que é a vida! A resposta é um olhar vazio, um evasivo "todos tem que comer pra viver", e se não tem trabalho não há comida. Será a fome a força motriz que condiciona e escraviza? Para alguns, poucos, acho que sim, mas a maioria não, trabalha somente pra suprir o supérfluo imposto como básico, pra não ser considerado ridículo e inadaptado pela maioria bestial e acabam por encarar isso como uma verdade absoluta. Microondas, celular, carro do ano, roupas da moda, relógios, belas esposas fúteis, são engrenagens que fazem a roda girar, mas poucos param e se dão conta, justamente os que se dão conta são os caras que criam, que tem uma liberdade maior, comem pouco, bebem pouco, dormem pouco, pouco e bem, estão comprometidos com a criação, e ninguém pode dizer a eles como devem fazer, eles tem a fórmula, estão comprometidos com aquilo que sentem prazer, é o que basta, caso sua criação não seja aceita, tudo bem, nem todos tem a percepção pra entender o que eles querem passar. Já o cara esmagado pela roda, ao ver seu fracasso profissional e seus anseios confortáveis chafurdando, procura um psicólogo, os mais desesperados procuram padres ou pastores.
A bússola, alguma inspiração, Jesus, Ronaldinho Gaúcho, Jim Morrison, Che Guevara, o cara da roda procura uma bússola, um ídolo, ele precisa de inspiração, precisa colher as migalhas de alguma figura fabricada, quer ter um lugar definido, quando tem um lugar definido procura mais, é a classe média, a classe que impõe a moral, um carro, dois, uma frota, eles querem ser iguais à classe acima, um norte, um norte pré-fabricado, se a classe acima é anti-governo, eles também são, se a classe acima é cristã, eles também, caso a bússola desnorteie, injete psicólogos na veia, faça deles bússola, o homem da roda necessita da bússola, pão e circo já não basta, só basta se o prato for de porcelana chinesa e o palhaço não estiver sentado sobre uma bomba relógio. Como o prato é de papel e bundas correm risco de voar pelos ares, é necessário algum refresco, a bússola, apontando qualquer rumo.
Pergunte o que eles buscam! Se não for uma das engrenagens da roda eu corto um dedo de minha mão. Pergunte a eles o que é vida. Bando de mortos vivos.

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